INTENSO PAVOR

Primeira Parte. 

O corpo do Coronel Antão - INTENSO PAVOR


Todas as vezes que caia um temporal, Coronel Antão ia em direção dessa grande e misteriosa árvore.

Passava todo o temporal debaixo da velha figueira; árvore centenária, corria a boca a boca que os ancestrais de Coronel Antão faziam torturas aos escravos e escolhia esse lugar para suas celebrações macabra, as vezes usava para açoitar ou em momentos sacrificar esses pobres seres indefesos, o tronco era debaixo da velha figueira, reza a lenda que nas sextas feiras em um determinado horário ouvia se gemidos que ecoavam desde dos tempos negros da escravatura. As amarras e chibatas ainda zuniam assim como nos tempos já passado, um resto de assombração persistiam em se apresentar seus lamentos cheios de dores.

Coronel Antão corria para debaixo dessa árvore, não no intensão de se abrigar do mau tempo, mas seguia esse ritual como uma exigência das entidades espirituais de forças maiores.

Todos já sabiam que esse senhor Antão já fez pacto com o diabo, ele só passou a ser rico milionário depois que vendeu sua alma para o demo, senhor das catacumbas dos infernos... em comum acordo era deveras parceiro do Diabo, mas conforme ficara acertado em pacto de sangue, em uma determinada data, o diabo viria para leva-lo, isso já ficou firmado.

O misterioso senhor Antão tinha uma super percepção de quando se aproximava qualquer tempestade, suas entidades espirituais sempre o alertavam, hoje bem de manhã esse homem recebeu essa revelação que dizia aproximar um grande temporal, ele ficou contente com esse aviso.

Hoje nessa tarde acontecerá. Olhando para o céu pode se perceber um aspecto estranho que de mostra nesses ares, essa brisa refrescante tem cheiro de chuva, a revoadas de pássaros rumo ao sul.  Já anuncia essa verdade


O tempo impiedoso passa fazendo marcas de destruição, além de derriçar as folhas e galhos dessa gigantesca figueira, deixava escorrer um rio de águas partindo do ponto mais alto dessa árvore até as raízes: tentáculos como os braços fortes desses caboclos resistentes formados para essa lida.

Tudo se tratava de uma barganha, eles ofereciam seus trabalhos em esforços por essa tão pouca miséria de cifras em tostões, maus davam para se alimentar essas três bocas famintas, insuficiente para acalmar a fome massacrante, nessa troca, coronel Antão sempre saia ganhando, esses empregados camponeses vendiam suas forças quase de graça, ficava faltando para alimentação desses seus filhos,   uma tristeza que saltava aos olhos de qualquer observador, ver aquelas crianças desnutridas de faces amareladas quase esverdeada pela palidez, de ficar chocado com tanta desumanidade, Coronel Antão poderia tratar melhor seus colaboradores, mas o que imperava naquelas leis trabalhistas, maltratava os mais humildes, quem ditavam as regras eram os mais poderosos senhores adeptos do coronelismo.


Naquela moradia precária Justino, sua esposa e seus dois filhinhos inocentes se penalizava pelo que poderia acontecer nessas intemperes climáticas, se protegiam como podiam desse bravio temporal.

Os relâmpagos trincavam o céu com grande luminosidade, as telhas de cerâmica da humilde casinha de Justino, tremulavam, encharcando dessa água dita como abençoada, mas inundava e causava até a morte aos desabrigados.

Aqueles seres tão desprotegidos das promessas divina, ainda que esse deus a qual eles prestavam essa fé nunca estendeu as mãos pelo ao menos a essas crianças.

O sonho daquele chefe de família; Justino, mulher e dois filhos, era de melhorar as condições de vida, dar conforto a essas três criaturas desamparadas pelo patrão, esse endemoniado home de negócio, que só visava o lucro as custas desses esfarrapados operários.

Já chegava as últimas horas dessa tarde quando essa chuva diminuiu bastante, quase cessando os últimos pingos, Justino; o pobre homem trabalhador dessas roças, apanha um machado e mais algumas ferramentas, assim como um belo revólver que possuía dês de muito tempo, só para caso de algum ataque de animais selvagens, nessas propriedade do Coronel Antão havia muitos animais perigosos, pensava com essa arma defender desses perigos, deixa sua pequena casinha, mulher e filhos e vai em direção dos campos, intenção derrubar um coqueiro de palmito para acompanhar em sua refeição, só restava esse afazer, depois desse meio dia a chuva não deixou ninguém trabalhar.

O nevoeiro cobria os caminhos a seguir, uma nevasca que quase não se via nada.

Justino vivia o tempo todo reclamando por suas péssimas condições de vida, questionava, resmungava e até xingava a Deus que se dizia o criador de tudo, mas para ele nunca atendeu suas orações, dizia e repetia que venderia a alma para o diabo, assim como seu patrão coronel Antão fez, repetia várias vezes – Deus não dá nada para ninguém, veja como nosso patrãozinho é rico e poderoso além de ser uma pessoa cruel, perverso praticante de tantas atrocidades e feito pacto com o diabo... e é rico.

Se o diabo aparecesse para mim eu me entregaria de corpo e alma, também seria um muito rico, agora dizendo a verdade, eu nem pra isso sirvo... ter uma prosa com esse tão encantado anjo muito querido.

Enquanto Justino caminhava naquelas trilhas em meio esse chuvisqueiro, resto que sobrou dessa tempestade que caiu agora a pouco, enxugava o rosto com as mãos, enquanto que seus olhos enchiam de água desses pingos que caia.

Com um saco de estopa nas costas com suas ferramentas, em um breve momento percebe se que as folhas dos arbustos se mexeram, em seguida surge do nada uma voz que chamou pelo nome algumas vezes esse pobre homem:

- Meu deus que será isso, seria deus falando comigo, ouviu meus reclames indignado pela minha situação miserável que se encontra minha família próximo de morrermos de fome além de esforçar-me para colocar comida na mesa, mas tudo que ganho nesse trabalho escravo não dá para matar a fome desses meus três viventes, eu, minha mulher, meus dois filhos.

Der repente a entidade interrompe os pensamentos de Justino e diz como exigência.

                                                                                                             - Senhor Justino, senhor Justino, eu quero ser seu amigo, tenho boas notícias para você, se quiser me ouvir, gostaria de falar com você? Disse essa voz do nada.

Justino abriu seu saco de ferramentas, pegou seu revólver e perguntava com insistência.

- Quem está aí, diga por favor, se não eu atiro. Disse com bravura apontando a arma para o mato.

- Calma seu Justino, sou seu amigo, pode abaixar a arma, quero ter uma conversinha com você, não fique bravo comigo não, vamos conversar amigavelmente, você não vai se arrepender, ainda a pouco você disse que entregaria a alma para o diabo, eu estava aqui perto e escutei dizer desse seu desejo de ficar rico, sua oportunidade chegou, você poderá se tornar um homem muito rico, pense bem nisso, tão rico como seu patrão, então, você não precisa ficar cruel como ele, sua esposa e seus filhinhos serão bem tratados cheios de belezuras... Disse o Cramulhão oferecendo muitas maravilhas enquanto Rufino dava toda atenção às propostas desse diabinho do bem.


- Caso nós confirmamos essas minhas propostas, já vou te adiantar logo, não quero culto e nem qualquer tipo de orações, aqueles santos que você tem naquele oratório, vou te adiantar, terá que jogar fora, diabos não gostam de imagens, é o inverso de tudo que demostra a fé divina. Essa voz misteriosa dizia a seu Justino se dizendo muito interessado por essa sua causa.

Justino se fazendo de difícil por momento deixou de dar atenção a esse diabinho, essa entidade, assim voltou a insistir chamando atenção para as maravilhas oferecida por esse diabinho.

- Justino enquanto caminhava pensava nas condições de fazer o pacto com o diabo, olhava para sua situação de miséria de sua pequena família e cada vez mais se convencia que esse seria uma ótima condição:

- Estou quase aceitando, afinal o diabo não é esse sujeito tão mau que o povo descreve, todos que chamam por ele, atende com urgência e presteza, enquanto que eu a tantos anos vivo rezando em pedidos, orações e promessas em aclamações, até hoje cada dia pior, estou convencido, vou aceitar, agora pergunto a você meu parceiro, qual será os próximos passos para firmar o pacto? Justino diz sim as propostas da entidade.

Essa trilha em que Justino seguia passava ao lado da misteriosa árvore centenária; a figueira encantada. O pobre homem enquanto mudava seus passos em direção dos coqueirais já se sentia que tudo estava mudando em sua vida, a começar por sentir se fortalecidos, parece que já sente mais vigoroso, como um ser humano, curado de uma forte anemia, Justino percebeu que agora tudo estava surtindo efeito, ao chegar sobre a proteção da velha figueira o diabo chama Justino para debaixo dessa misteriosa árvore, essa entidade vai ditando as regras de um ritual, enquanto Justino seguia o que era dito, o homem aceitava tudo o que lhe fora dito, como uma celebração de batizado.

A voz misteriosa disse ao Justino:

-Agora você abra esse saco de estopa, e pegue sua faca e faça um pequeno corte no pulso direito, deixe que esse seu sangue que exale ao vento, agora você é um dos nossos, aguarde para as próximas horas você terá os primeiro sinais desse seu pacto.

O diabo encerrou essa confirmação, tudo aconteceu sobre a proteção dessa árvore centenária. Justino continuou a fazer o que ele estava determinado, colher os palmitos nos coqueirais das guabirobas

Quando Justino voltava seguindo pela mesma trilha aconteceu um fato muito curioso, ele já estava imaginando que o pacto já estava surtindo efeito, Justino percebeu que de encontro a sua direção, surge um cavaleiro a galope, parece que não se sustentava direito nos arreios do animal, como se estivesse bêbado, passou por Justino, olhou para trás, viu que deixou cair uma grande bolsa de couro cru, tudo indica que aquele cavaleiro era um dos administrador do coronel Antão, a grande bolsa estava cheia de dinheiro que seria para pagar os empregados que trabalhavam nessa colheita de cana de açúcar, Justino ficou assustado quando ouviu um tiro de trabuco. Justino agora estava com a bolsa superlotada de notas graúdas, o cavaleiro foi assassinado, tudo indica, que foi uma tocaia. O pobre homem ficou confuso, não sabia se entregava o dinheiro ao dono que conforme alguns papeis que estava junto das notas e o portador seria o administrador do coronel Antão, Justino indeciso sentou se as margens da trilha pensando no que faria.

Em dado momento uma águia aproxima de Justino, ela gritava alto e voava em círculo, Justino começou a sentir medo, tudo aquilo dava pavor, logo a grande ave se aproxima de Justino e se transforma no diabo, pela primeira vez Justino viu a figura do diabo, aproximou e deu seus cordiais cumprimentos demonstrando ser muito amigo desse seu mais recente iniciado.

-Justino, Justino meu amado discípulo, essa sua primeira posse, foi tudo organizado por mim, não se preocupe com esse dinheiro, você não está praticando nenhum ato desonesto, não está roubando, esse dinheiro é seu.  Disse a entidade acalmando as tensões de Justino.

- Mas isso é muito dinheiro, tenho medo de alguém saber que estou de posse dessa grande quantia, posso até ir preso por acoitar produto que a mim não pertence.

- Não se preocupe eu já armei tudo, ninguém vai te pegar. Deixe comigo, eu te darei toda cobertura. Você está me compreendendo meu discípulo? Você ainda terá que aguardar umas quatros semanas para começar a gastar esse seu rico dinheirinho, já tenho em vista, você vai comprar aquela casa que se situa naquele endereço cujo já é de meu conhecimento, espere a poeira abaixar, eu estarei dando cobertura de tudo. 

- Sim, sim, tudo entendido.  Justino concordando com as propostas de seu mestre.

- Onde fica essa casa? Qual endereço? Pergunta Justino.

- Não se preocupe, na hora você vai saber, quero te adiantar a próxima e primeira tarefa a cumprir, coronel Antão está cumprindo seus últimos dias aqui na terra, você será o substituto, Coronel Antão morre dia dezessete desse mês, morte por arma de fogo, o fato acontecerá quando a vítima estará em meio uma confusão, haverá vários disparo de arma de fogo, mas ele morrerá pelo disparo de sua arma, você Justino acionará o gatilho de seu revólver e matará Coronel Antão logo quando ele chegava amontado em seu cavalo, Coronel Antão era um frequentador assíduo desse estabelecimento, hoje ele chegou na hora errada.  Na porta desse boteco onde haverá essa grande confusão, homens atirando com armas de fogo, esfaqueamento de peixeira até espancamento, se pegando em lutas corporais assim morre Coronel Antão, e eu estarei lá no funeral dele a fim de resgatar o corpo desse grande personagem, se vai Coronel Antão, ressurge Justino o mais novo discípulo do diabo.   Assi Essa entidade revela tudo com antecipação.

Antônio Herrero Portilho/11/3/2024*** 

  

 

A MORTE NÃO MANDA RECADO.

 A morte não manda recado.

 

                Rua á baixo rua a cima em passo que determina um trajeto sempre igual, era um corre e corre danado neste dia anormal, naquela vizinhança estava faltando um que agora já se foi, se escafedeu, ou foi morar com Deus, para o outro lado da vida em lugar em incomum, já foi subindo ao céu isto que se sucedeu/.
 
                              Neste dia de tristeza as forças da natureza fez morrer mais um, Filomena desta vez  a primeira deste mês; a velhinha rendera que morava bem ali, a malvada negra morte não deu chance a pobrezinha, conferindo os habitantes, menos um na vila norte/.
 
                              Seu Augusto sapateiro, bom sujeito, bom amigo, entre as solas de sapatos, passam cola prega taxas fura o couro o costureiro, mas a tal velha da foice, com maldade sem piedade carregou pra junto dela/.
 
                              Ante ontem foi Chiquinho, amanheceu coitadinho todo mijado no chão, a morte quando chegou e nada lhe perguntou no minuto derradeiro, foi levado bruscamente nem esperou em nada  pegou o pobre vivente com as calças arriadas, nem se quer trocou de roupas,  partiu para outro mundo, antes de ir ao banheiro.
 
                              Seu Joaquim o  Português, agora chegou sua vez, sua hora está marcada, amanhã de madrugada vais fechar o armazém a caminho do além em passos que não tem volta, sua família com pesares neste dia  em respeito, estarão toda  enlutada/.
 
                              Ali naquele lugar dava medo de morar, tinha sempre n’outro dia um marcado a degolar,  todo dia um cortejo enchendo de sepultura, o cemitério do lugar, tanta criança órfã. Vária mulher a viuvar. Pela rua direita, está vindo à caminho, a figura destemida, com a foice afiada, pronta pra exterminar,  Você meu caro amigo coloque as barbas de molho sua hora vai chegar/.
 
                               A notícia correu rápido depois de horas da festa, um caso a preocupar, Jasão estava estendido com um balaço no umbigo, todo sexo feminino estava a lamentar, Jasão o moço bonito o garanhão deste lugar sem vida jogado ao chão, com um tiro bem certeiro pegou bem naquele lugar, ele gritava forte, meu Deus me livre da morte, não quero deixar este mundo, eu não quero morrer já, mas foi de morte morrida, não foi de epidemia, outra historia pra contar/.
 
                                Dona Hermínia coitadinha quando soube o ocorrido logo veio a desmaiar, sua esposa verdadeira a morte de seu marido nesta hora a lamentar como isto aconteceu, como foi que ele morreu, foi um cabra traído com uma arma empunho no gatilho a acionar,  assim que sucedeu meio uma fumaceira cheiro de pólvora no ar/.
 
                                 Logo o povo linguarudo de esquina em esquina estava a comentar, morreu o atrevido, um descanso merecido, pros inferno se danar, todo maridos traídos aliviados diziam agora a paz vai reinar, sentirá a coisa preta, no colo do capeta agora ele vai sentar/.
 
 
                                Hoje é feriado, respeitando o dia santo ninguém foi trabalhar, os coveiros e stão de folga, por favor, dona morte não me faça trabalhar, vou descansar as ferramentas, os meus braços  não aguenta, de tanto as covas cavar,  não quero que me atormentes, não mate mas esta  gente até nossa folga acabar, não quero enterrar ninguém até sexta que vem, dê sossego ao povo deixe de atazanar.

Antônio Herrero Portilho/17/8/2014
Postado há 17th August 2014 por Antonio Herrero

A casa do espiríto

 


A CASA DO ESPÍRITO

Apareceu, não se sabe de onde, muito dizem que do céu desceu, em uma família se juntou, permaneceu, alma boa o acolheu assim como filho seu, espírito viajor, sacudiu aqueles corpos e de ódio encheu, desamor, entorpeceu-se de vícios, todos que  apossam o atirava na lama são  maus amados, fez vidas enlutadas e corações em chamas.

Os irados, maus acabados de barba comprida todo inchados de tantas bebidas. Guris desnutridos olhares pálidos de barriga redonda ascaridíases presentes, sem roupas quase pelados nem parece ser filho de gente, vidas sem rumo, pai indigente não importa o clima de frio ou quente.

Pelas ruas ou praças independe de raça, deitados ao chão, as vezes atrapalha a direção de quem ali passa, todos ignoram ele, o infeliz é cria de nossa nação, um infortuno sem teto, todos que veem o ficam inquietos, irmão, as feras das ruas nem o veja, não o ajuda nem lhe oferece um pedaço de pão.

Sua morada a céu aberto, seu dormitório é o banco da praça, sem agasalho em pleno orvalho, o barulho dos carros te fere os ouvidos, um moço da rua tão mau vestido, um indigente sem eiras e beiras de boca ferida, não mastiga, sem dentes os alimentos, um gole de cachaça.

O senhor da oficina conhece o drama é um reencarnado pagando a dívida, outrora foi rico, mas opulento, um tirano malvado, muitos sofreram pelas suas mãos, agora tem vida sofrida tanto maltratou seus pobres irmãos, espirito trevosos bordados em chagas lhe falta o consolo em oração.

Antherport/19/4/21

 

Enviado em 20/04/2021 12:38 BRT

A VOLTA DO ANJO MAU

Lá não tem chuva, não tem vento,
lá não tem aurora, não tem sorrisos, só tem lamentos.

Estou chegando de lá, trago dentro de mim uma saudade avassaladora, meu coração está doente, quero rever está gente que um dia deixei a cá.

Velaram-me chamaram-me de morto, naquele momento, eu de olhos fechados, meu nariz em calmaria não fazia respirar.

Minhas mãos que tanto estendi aos carentes, palmas pálidas, dedos tesos, corpo gelado, inconsciente.

Mas agora estou presente, não tenho mais amor, estou vivendo em outro corpo, muito mais vigoroso, formoso inteligente.

Chega de ser bonzinho, armado vou andar , mato ou morro, a mim não  peças socorro, e nem precisa orar, tornei-me um anjo mau, a ninguém vou ajudar.

Estou aqui, neste planeta terra eu voltei a morar.


Antônio Herrero Port
ilho/20/9/2016.

Enviado em 20/09/2016 22:34 BRT 

CECÍLIA, AMOR DE UMA NOITE.


 

AMOR DE UMA NOITE

  Agora Cecília está deitada estática; os seus olhos serenos fixos em um só ponto. Seu corpo coberto de rosas deixando somente a parte do pescoço até a cabeça descobertos. Todos choravam a morte desta bela mulher. Quando em vida Cecília esbanjava beleza, agora sua face pálida parecia estar dormindo um daqueles sonos profundos. Sobre os paramentos fúnebres cobertos por pétalas um corpo inerte, o sopro da vida não destacava aos olhos das sentinelas ali presentes.

Viúva, já alguns anos, mas sempre dada ao sexo, ela possuía diversas habilidades sobre o trato com o sexo em depravações, neste momento seu corpo está frio como suas noites desvairada usando de todas as suas formosuras em trocas de dinheiro fácil, Cecília deitava com vários parceiros, até aqueles que não despertavam atração, pensando somente em lucro fácil. Hoje Cecília está partindo desta para a melhor, eu sei que ela irá encontrar do outro lado, certeza que não será um paraíso.

 Eu sei... Os mortos ainda conservam algumas percepções ali durante algumas horas pós-morte, tenho conhecimento que até aos seus próprios cortejos eles acompanha, misturado com os que ali se faz presença a esta celebração derradeira, ela com suas carnes e músculos gelados, mas percebia tudo ao seu redor, como se estivesse em uma bolha sem contato, mas compartilhando tudo que acontecia, assunto muito difícil de explicar.

Der repente lá nas profundidades de sua eis existência percebe algo meio esquisito; um vento entra pela porta e assopram as velas ali acesas, ela se sentia trêmula como se estivesse viva, lhe causou uma reação muito estranha em sua condição de morta, é que chegava ali neste funeral um de seus admiradores e apaixonados, além de seu assassino, aquele que a desferiu aquela punhalada certeira em seu coração, tudo por causa do ciúme exagerado interrompendo a vida desta tão jovem mulher encantadora por suas aparências bonitas.

Ele chegou disfarçado para que ninguém o reconhecesse, pois as investigações ainda não haviam sido concluídas, não suspeitavam que ele mesmo fosse o autor deste crime, só ela sabia desta certeza. Cecília ainda percebeu o perfume ao qual ele usava naquela cena tão triste, notou seu arrependimento e percebeu verdadeira paixão que este jovem possuía por ela, mas agora já é tarde, depois que o rapaz se retirou indo embora pra sempre. Todos que estava olhando para a face da morta perceberam que seus olhos que ainda estavam abertos, neste momento, na saída deste moço; as pálpebras se fecharam como se ela estivesse o esperando com ainda seus olhos abertos. Logo se confirmou que ela já não interessava por mais nada neste mundo.

Naquele feriado de junho; tarde de muito frio esta urna funerária era transportada para a última morada de Cecília, todos que seguia o enterro se contorciam se defendendo do clima frio intenso. Um daqueles que acompanhava o cortejo até o sepultamento do corpo dizia em lamentos: - Eu também chorei de tristeza pois Cecília também foi uma de minhas acompanhantes em um dia destes.

Em minha memória ficou gravado aquele semblante sorridente e de muita alegria de viver que esta jovem linda  distribuíam gratuitamente a todos de seu meio.

O silêncio tomava conta daquele cortejo, embalada nesta urna funerária lá ia ela carregada a caminho de seu repouso final, alguns ainda soluçava enquanto trocavam os passos durante está caminhada.

Ela ainda neste pequeno estágio de sua passagem continuava ouvindo lá fora o mundo ao qual lhe pertencia á poucas horas e perguntava a si o porquê seus pais não estavam ali neste acompanhamento, será que se esqueceu de sua filha neste momento tão solícito.

– Estou sofrendo um abandono muito severo, agora que eu gostaria mesmo de sentir as suas presenças, estou morrendo só e os poucos que estão presente são aqueles meus companheiros de jornadas nestas noites de diversões pecaminosas, agora eu queria muito a presença de meu pai e minha mãe e irmãos nesta viaje derradeira, mas não adianta procurar por eles,  não estão aqui, não deram importância a esta minha partida para o infinito, acho que esta tristeza que estou passando já é uma prenuncia de toda minha desolação que irei aturar por esta etapa que está para vir.

Depois que o cortejo adentrou ao campo santo e já caminhavam alguns passos todos ficaram em alerta para um chamamento, era uma das amigas de Cecília que não havia chegado a tempo; problemas de viaje. 

Ao portão daquele cemitério estava estacionando um luxuoso carro de propriedade de Dona Irene, uma das fidelíssimas amigas desta já falecida

Irene acompanhada de seu mordomo e escudeiro s.r. Agnaldo, ambos gritavam desesperados para que chegasse a tempo a fim de despedirem de sua amiga inseparável, Irene e Agnaldo choraram copiosamente, percebiam no rosto dos dois uma grande decepção que os mesmos sentiam com a morte desta tão amiga e companheira de várias horas.

Entre os populares ali presente ouviu se um bochicho, um senhor cutucou o amigo do lado e indagou assim – Quem foi essa morta? Que influência a tinha nesta cidade? – Ah!.. Sim... Era uma Puta que morava naquela mansão lá no fim da rua. Estes dois que chegaram atrasados é seu Agnaldo e sua patroa dona Irene; daquela chácara de festas noturnas – Entendi, entendi...

Der repente Dona Irene virou-se de lado e disse em voz rouca se perdendo em soluços: - Olha aqui pessoal, exijo muito respeito a esta pessoa que se acha neste momento nesta tal situação de morta, foi minha amiga e era uma pessoa muito amável por todos, eu sinto muito a perca desta grande pessoa de minha grande admiração. Todos ali presente finalizaram o pequeno discurso com uma salva de palmas.

Cecília ainda ouviu quando um dos trabalhadores do cemitério disse que os ajudantes de sepultamento tomassem posse das pás e enxadas e conduziram o carrinho de transportar caixão em direção da mais nova cova aberta, um deles ainda disse – É lá na quadra quatorze, aquela que foi aberta à pouco, a mais recente.

Desceram o caixão a mais ou menos uns sete palmos de funduras e logo ouve um grande aplauso pelo encerramento da vida desta mulher nessa existência terrena.  

Cecília ficou transtornada que até parecia se revirar dentro destas trancas de tampas que prende a defunta, sabia que a partir dali não mais viria o claro desta vida a qual ela não mais pertencia e nem ouviria mais nada deste mundo. Para encerrar, ouviu o barulho da terra caindo em cima de seu caixão.

Agora as artimanhas do mundo dos mortos tomou conta de Dona Cecília, ela está arrodeada de uma escuridão massacrante e não se dá mais conta  de seus restos materiais, nem sabe mais em que posição está, se na vertical, horizontal e nem sabem as posições e latitude, só o negro desta noite tão escura e eterna.

Entre meio este cenário horrendo Cecília ainda percebe uma minúscula luz que surge e vai-se expandindo muito lentamente, aumentando até que se destaca assim como uma cortina em meio este infinito escuro.

Ela estava agora adentrando em outa existência, percebia que havia realmente outro mundo lá do outro lado deste palco destemido. Surge um anjo bondoso e toca a mão de Cecília e parece forçar para que a mesma levante, à abraça e com as mão caridosas a afaga enxugando assim como se fosse lágrima e a conduz para um determinado lugar cheio de paz e refrigério.

Ela não foi penalizada pelos seus atos nesta existência e recebeu a Glória divina, foi perdoada está recebendo todas as maravilhas oferecida a qual quer que seja outro viajante desta esfera do infinito extra mundo.

Antonio Herrero Portilho/24/01/2015.

 

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  HOJE DIA 22 DE SETEMBRO/24 ESTOU RECUPERANDO ESSE MEU BOG, FORAM MUITAS TENTATIVAS E FRUSTRAÇÃO, AGORA PARECE QUE VAI PROCEGUIR EM FRENTE....